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  • Dra. Deise Miola

Por que os gestores ambientais precisam aprender sobre ciência?

Uma grande preocupação das pessoas que trabalham com biologia da conservação é tornar o conhecimento gerado por meio de pesquisas científicas acessível aos gestores e tomadores de decisão. A divulgação científica é, sem dúvida, de extrema importância e os profissionais da ciência precisam desenvolver habilidades de comunicação. Devem estar abertos à simplificação da linguagem para que possam fornecer explicações breves a questões complexas, mas que vão entrar em ressonância com o público e os decisores.


O conhecimento científico precisa chegar ao público em geral e a sociedade só tem a ganhar quando as informações acadêmicas se disseminam e passam a fazer parte do seu cotidiano. Um exemplo claro e simples da influência desse conhecimento em nossas vidas é hábito de lavar as mãos antes de manipular alimentos, que só se tornou corriqueiro em nossa sociedade após o advento das pesquisas em microbiologia. Quantas doenças não foram controladas e quantas vidas não foram salvas a partir de uma atitude aparentemente tão pequena?


Com a ciência ambiental isso não é diferente. O conhecimento gerado nas universidades e centros de pesquisa quando aplicado e difundido na sociedade só gera benefícios. A simplificação da linguagem científica, entretanto, tem suas limitações e para que ela possa ser bem compreendida e aplicada é necessário que os interlocutores possuam alguns conhecimentos básicos. É justamente por isso que a disciplina de ciências está presente nos currículos escolares já desde o ensino fundamental. Todos precisamos entender ciência para compreender o mundo a nossa volta, identificar nossos impactos sobre ele e criar meios de melhorá-lo.


É claro que não é necessário entender as reações químicas da fotossíntese para compreender a importância de uma árvore e a maior parte dos membros de nossa sociedade não necessitam de um treinamento avançado em ciência para defender a causa ambiental. Em algumas funções, entretanto, esse conhecimento se faz extremamente necessário. Os gestores ambientais públicos ou privados e os tomadores de decisão precisam de um entendimento maior e mais profundo sobre a ciência do meio ambiente para que possam atuar de forma consciente e responsável. Mas infelizmente não é isso que se tem observado atualmente.


São inúmeras as situações em que profissionais completamente despreparados assumem posições em que poderiam atuar de forma plena, realizando ótimos trabalhos em benefício do meio ambiente e da população e não o fazem por puro despreparo acadêmico e intelectual. Não é raro essa situação se originar dentro das instituições de ensino superior que elaboram currículos centrados muito mais em procedimentos, deixando de lado o conhecimento científico necessário ao entendimento do processo como um todo. O resultado disso é a formação de profissionais que não passam de meros despachantes ambientais, sem visão crítica e sistêmica.


Assim como é necessário que os cientistas passem a se preocupar mais em divulgar seus trabalhos de forma clara e acessível para uma parcela maior de leitores, também é extremamente urgente a necessidade de melhorar a formação científica e acadêmica dos nossos gestores. E, sobretudo, é preciso que eles deixem de lado a preguiça mental e passem a aplicar os conhecimentos adquiridos pelos pesquisadores em programas de gerenciamento ambiental. Do contrário, todo esforço da ciência será em vão.







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