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  • Dra. Deise Miola

Por que se preocupar com a conservação da Biodiversidade?

O Brasil possui o título de nação biologicamente mais rica do planeta. Apesar disso, infelizmente, também figura entre os países com índices alarmantes de degradação, perda de hábitats e extinção de espécies. Apesar dos inúmeros esforços de ecólogos e ambientalistas para se saber exatamente quantas e quais são as espécies ameaçadas de extinção no Brasil, sabe-se que os números reais podem ser muito superiores aos divulgados pelas listas oficiais.


De acordo com o relatório da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPEBS) divulgado em 2019, estima-se de que cerca de um milhão de espécies de plantas e animais estão em vias de extinção devido a atividade humanas. Mas afinal, por que a perda de espécies preocupa tanto os pesquisadores? Por que devemos nos esforçar para conservar essas espécies? O que existe de tão terrível na extinção?


Vários processos ecológicos, como predação e competição, podem levar naturalmente a extinção de uma espécie. Se avaliarmos a história biológica do planeta, podemos perceber que, por muitas vezes, ocorreram extinções em massa que eliminaram grande parte da biodiversidade da Terra. Um exemplo disso foi a que extinguiu os dinossauros no final do período Cretáceo. Nos períodos geológicos passados, entretanto, a perda de espécies estava equilibrada, ou um pouco abaixo do surgimento de novas espécies, o que mantinha um certo “equilíbrio ecológico” no planeta. Diferentemente do que aconteceu no passado, atualmente as altas taxas de extinção se devem a ação humana e não a processos ambientais. Além disso, o número de espécies extintas excede, em muito, a taxa de reposição de novas espécies e este é um processo irreversível. Quando uma espécie é extinta, todo o seu ecossistema e as espécies que dela dependem ficam desestabilizados. Em consequência, uma série de extinções em cascata podem acabar ocorrendo.


Com intuito de deter ou diminuir as extinções, muitos ambientalistas têm tentado atribuir à biodiversidade valores econômicos. Várias abordagens nesse sentido já foram desenvolvidas, apesar deste ser um assunto complexo por envolver diversos fatores. Uma das mais conhecidas foi a criada pelo pesquisador J. A. McNeely em 1988. Segundo ele, a biodiversidade possui valores econômicos diretos e indiretos. Os valores econômicos diretos se caracterizam por aqueles produtos que são diretamente colhidos e utilizados pelas pessoas, como por exemplo a lenha e o consumo de animais de caça. Os valores econômicos indiretos, por sua vez, são aqueles que estão relacionados aos benefícios produzidos pela diversidade biológica e que não implicam no uso ou na destruição de um recurso. Como a manutenção da qualidade da água e do solo mantida por um ecossistema não impactado, o controle climático realizado pela vegetação e a produção de frutos utilizados comercialmente e que só se formam devido a ação de polinizadores (ou seja, serviços ambientais). Outros valores atribuídos ao uso da biodiversidade relacionam-se com a produção de medicamentos advindos de princípios ativos retirados de plantas, animais, fungos e bactérias; da manutenção do equilíbrio ecológico devido a interação das espécies; dentre outros.


Na realidade, a biodiversidade possui um valor incomensurável. Em um mundo altamente capitalista, entretanto, justificativas econômicas para a conservação, muitas vezes se tornam necessárias. Mas quando discuto esse assunto sempre gosto de citar uma frase do pesquisador John Lawton em seu artigo Are species useful? de 1991: “Nós não conservamos os concertos de Mozart, as pinturas de Monet ou catedrais medievais porque elas são úteis. Nós as conservamos porque são belas e porque enriquecem as nossas vidas (...) Se a utilidade se tornar o principal argumento, a causa para a conservação biológica estará grandemente enfraquecida. A natureza é bela. Deixe-nos dizer então que a manutenção desta beleza é uma honesta e grande razão para conservá-la.




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