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Atualizado: 29 de abr. de 2020

Para muitas espécies a fragmentação de hábitats representa um grande risco à sua sobrevivência, uma vez que suas populações não conseguem se adaptar ao hábitat alterado. Algumas, no entanto, desenvolvem estratégias que aumentam suas chances de permanência naquele local. Uma dessas estratégias é a formação de metapopulações.

Uma metapopulação é um conjunto de populações (indivíduos da mesma espécie que vivem juntos em um determinado local), que se estabelece em manchas de hábitats adequado. Para compreender essa definição, imagine uma grande floresta onde vivem várias espécies de roedores. Devido ao desmatamento, imagine que essa floresta tenha sido reduzida a vários pequenos fragmentos e que muitas espécies desapareceram por causa dessa alteração. Alguns roedores, no entanto, conseguem permanecer nos fragmentos restantes (manchas de hábitats), mas os grupos isolados são muito pequenos para sobreviver sozinhos. Então, esses grupos de indivíduos começam a mover-se entre os diferentes fragmentos e a interagir entre si. Essa interação aumenta a disponibilidade de parceiros sexuais, a variabilidade genética e as chances de sobrevivência da população. 


Apesar dos riscos de morte durante a movimentação entre um fragmento e outro, é esse comportamento que pode garantir também uma maior disponibilidade de alimentos. Para muitas espécies, essa é a única forma de sobreviver em ambientes que foram “picotados” pelo homem.


Talvez você possa estar se perguntando “qual a importância de saber o que é uma metapopulação?”. Se esse é o seu caso, lhe respondo com outra pergunta: “Qual a importância de um pequeno fragmento florestal?”. 


Há alguns anos atrás participei de uma Conferência Regional de Meio Ambiente, na qual o objetivo era discutir as aplicações práticas das leis ambientais. Um dos pontos mais polêmicos, como sempre, foi a legislação florestal. Os ruralistas questionavam a obrigatoriedade da reserva legal em pequenas propriedades, justificando que pequenos fragmentos (alguns até com menos de um hectare), não têm condições de abrigar espécies animais e não teriam significativo valor para a conservação da biodiversidade.


É claro que, em partes, eles têm razão. Os pequenos fragmentos são incapazes de suportar grandes espécies animais (como grandes carnívoros, por exemplo) e, devido a sua área reduzida, também abrigam menos espécies que áreas de mata maiores. É um erro, no entanto, pensar que as pequenas manchas florestais não possuem seu valor. Além de auxiliar no controle climático, essas áreas menores podem favorecer a manutenção de metapopulações. Fragmentos que hoje não estão ocupados por uma determinada espécie, podem vir a ser no futuro, em uma complexa dinâmica de colonização e recolonização de hábitats. 


A lição que podemos aprender com o estudo das metapopulações é que não podemos desprezar nenhum fragmento florestal, por menor que ele seja. Mesmo que temporariamente, eles podem representar importantes fontes de abrigo e recursos alimentares para a sobrevivência das espécies e das metapopulações. 



Deise Miola

Bióloga, PhD em Ecologia Conservação e Manejo de Vida Silvestre
Deise
Deise Miola

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