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Há um consenso entre os cientistas de que a doenças zoonóticas (que passam dos animais para os seres humanos) são agravadas pela perda de biodiversidade e mudanças climáticas. Esse é o caso da Gripe Aviária, da Zika e, mais recentemente, do Covid-19.  Dados da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES - Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services) divulgados no início de 2019 afirmam que doenças infecciosas emergentes da vida selvagem podem ser intensificadas por atividades humanas, como limpeza de terras e fragmentação de habitats.

O impacto das atividades humanas sobre os ecossistemas naturais se tornou tão significativo que conseguimos colocar cerca de um quarto de todas as espécies do planeta em risco de extinção. Esse desequilíbrio, aliado a atividades de produção intensivas (dentre outros fatores), têm sido o estopim para epidemias como a do novo coronavírus. De que outra forma (se não pela ação humana*), um vírus inofensivo para uma espécie asiática de morcego conseguiria se espalhar globalmente e provocar milhares de mortes?


Se nada for feito no sentido de conter a destruição de áreas naturais e incentivar novos meios de produção sustentáveis, podemos nos preparar para outras pandemias. De acordo com dados do IPBES, existem cerca 1,7 milhão de vírus não identificados em mamíferos e aves aquáticas e que possuem o potencial para infectar pessoas. Qualquer um deles pode ser a causa de uma futura crise global, potencialmente ainda mais perturbadora e letal do que o COVID-19.

Nesse momento em que todas as atenções estão voltadas para o atendimento à saúde, é possível que se torne mais conveniente para os gestores públicos o relaxamento de restrições ambientais e o incentivo de atividades de alto impacto para mobilização da economia. Essas ações além de não serem capazes de resolver o problema atual, também irão contribuir para o surgimento de novas crises. Para que isso não ocorra precisamos de políticas públicas que garantam a proteção efetiva dos recursos naturais e o fortalecimento da fiscalização ambiental. As notícias mais recentes demonstram, entretanto, que não é nesse sentido que o Ministério do Meio Ambiente tem trabalhado. Podemos nos preparar para desafios ainda maiores que o Covid-19.

 

*Como ação humana entende-se o desmatamento, o tráfico e o consumo de animais silvestres. 


 Dra. Deise Miola 




Deise
Deise Miola

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